Considerado a “fotografia” da situação financeira de uma empresa, o balanço patrimonial é um dos relatórios mais importantes para acompanhar a saúde de um negócio. Ele mostra, em uma data específica, tudo o que a empresa tem, tudo o que deve e quanto de fato pertence aos sócios.
É bem provável que você já tenha ouvido falar do balanço patrimonial, seja na empresa em que trabalha, em reportagens, nas redes sociais ou em palestras.
Mesmo assim, talvez você ainda não conheça todos os detalhes desse relatório nem o motivo de ele existir. Pode ser, inclusive, que parte das atividades do seu dia a dia, como o controle dos bens da empresa, alimente os dados do balanço sem que você perceba.
Neste artigo, explicamos tudo sobre o balanço patrimonial: para que serve, quem é obrigado a fazer, como ele é estruturado, um exemplo prático, o passo a passo para elaborá-lo e como analisar os resultados. Continue a leitura!
O balanço patrimonial é a demonstração contábil que apresenta a posição patrimonial e financeira de uma empresa em uma data determinada, geralmente 31 de dezembro. Ele é dividido em três grupos, ativo (bens e direitos), passivo (obrigações com terceiros) e patrimônio líquido (recursos dos sócios) — e segue a equação fundamental da contabilidade: Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido. Sua estrutura é definida pela Lei nº 6.404/1976, atualizada pelas Leis nº 11.638/2007 e nº 11.941/2009.
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Qual o objetivo do balanço patrimonial e para que ele serve
O principal objetivo do balanço patrimonial é mostrar, de forma organizada, a situação patrimonial e financeira da empresa. Para algumas organizações, a divulgação desse relatório é obrigatória — principalmente para as empresas de capital aberto, que negociam ações na bolsa de valores.
Na prática, o balanço patrimonial serve para:
- avaliar a saúde financeira e a capacidade de pagamento da empresa;
- apoiar as decisões de gestores, sócios e investidores;
- subsidiar a análise de crédito feita por bancos e fornecedores;
- comprovar a situação da empresa em licitações, fusões, aquisições e processos de valuation;
- cumprir obrigações legais e fiscais.
Isso não significa que as empresas fora da bolsa estejam dispensadas. Elas também precisam elaborar o balanço e, quando obrigadas à Escrituração Contábil Digital (ECD), transmiti-lo ao Fisco no ano seguinte ao ano-base. Por exemplo: uma empresa que encerra seu exercício social em 31 de dezembro de 2025 deve elaborar o balanço referente a esse período e, se obrigada à ECD, transmiti-lo ao Fisco em 2026.
Vale lembrar que existe um prazo para o envio. Por isso, recomendamos consultar, nos órgãos competentes, a data-limite de entrega das declarações de cada ano.
Quem é obrigado a fazer o balanço patrimonial
De acordo com o Código Civil (Lei nº 10.406/2002, art. 1.179), o empresário e a sociedade empresária são obrigados a manter escrituração contábil e a levantar, anualmente, o balanço patrimonial e o de resultado econômico. A exceção é o pequeno empresário, como o Microempreendedor Individual (MEI), que é dispensado dessa exigência.
Já as sociedades anônimas seguem a Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.A.), que determina a elaboração do balanço patrimonial, junto com as demais demonstrações financeiras, ao fim de cada exercício social. No caso das companhias abertas, essas demonstrações também precisam ser publicadas e auditadas por auditores independentes registrados na CVM.
Para as empresas obrigadas à entrega, o balanço é transmitido ao Fisco por meio da Escrituração Contábil Digital (ECD), que integra o SPED (Sistema Público de Escrituração Digital).
O que é o Balanço Patrimonial?
De forma simples, o balanço patrimonial é uma fotografia do patrimônio da empresa em uma data específica. Ele reflete o resultado de todas as mudanças que esse patrimônio sofreu ao longo das atividades econômicas e financeiras de um determinado período.
Em outras palavras, o balanço funciona como as fichas “Bens e Direitos” e “Dívidas e Ônus” da declaração do Imposto de Renda de uma pessoa: mostra o que a empresa possui e o que deve em uma data específica. As receitas e despesas do período ficam em outro relatório, a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).
O balanço patrimonial é composto por três grandes grupos: o ativo, que reúne os bens e direitos; o passivo, que concentra as obrigações com terceiros; e o patrimônio líquido, que representa os recursos dos sócios. A relação entre eles é dada pela equação fundamental da contabilidade: Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido.
Regime tributário, regime de competência e regime de caixa
Os regimes tributários Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real, são conjuntos de leis e normas que regulamentam a apuração dos tributos. O enquadramento considera o tipo e a natureza do negócio, o faturamento e o porte da empresa (pequena, média ou grande).
Em geral, a empresa opta pelo regime em que pagará menos tributos. A exceção são as empresas obrigadas ao Lucro Real, seja pela receita bruta anual acima de R$ 78 milhões, seja pela atividade que exercem (como instituições financeiras), entre outras hipóteses previstas em lei (Lei nº 9.718/1998, art. 14; RIR/2018, art. 257).
Quanto ao balanço patrimonial, empresas de todos os regimes devem elaborá-lo: o Código Civil exige escrituração contábil e balanço anual de todo empresário e sociedade empresária, salvo o pequeno empresário. O que muda entre os regimes é a obrigatoriedade de entrega eletrônica ao Fisco (ECD) e, para as companhias abertas, a divulgação ao mercado.
Na contabilidade, todas as empresas devem registrar suas operações pelo regime de competência (Código Civil, art. 1.179; Lei nº 6.404/1976, art. 177; NBC TG Estrutura Conceitual / CPC 00). Já na tributação, empresas do Lucro Presumido e do Simples Nacional podem optar por reconhecer as receitas pelo regime de caixa para calcular os tributos. Essa opção vale apenas para a base fiscal e não altera a escrituração contábil nem o balanço patrimonial.
A opção pelo regime tributário é feita a cada ano-calendário: em janeiro, no Simples Nacional, ou com o pagamento da primeira quota do imposto, no Lucro Presumido. Na abertura da empresa, é feita uma simulação para identificar em quais regimes a empresa pode se enquadrar e qual deles tem a menor carga tributária para as suas atividades.
A diferença entre o regime de competência e o regime de caixa está no momento do reconhecimento. No regime de competência, o lançamento contábil é feito na data em que o fato ocorreu, independentemente de quando haverá o pagamento ou o recebimento. Já no regime de caixa,admitido apenas para fins fiscais, no reconhecimento das receitas, a receita entra na base de cálculo dos tributos somente quando o dinheiro é efetivamente recebido. Na contabilidade, vale sempre a competência.
Exemplo prático: o registro pelo regime de competência e as saídas de caixa.
A empresa Delta comprou de um fornecedor 150 máquinas de café para revenda, em 01/12/2025. O valor total de R$ 150.000,00 foi dividido em três parcelas:
- 1ª parcela à vista (R$ 50.000,00);
- 2ª parcela em 01/01/2026 (R$ 50.000,00);
- 3ª parcela em 01/02/2026 (R$ 50.000,00).
No regime de competência, a compra inteira é registrada em dezembro de 2025, mês em que o fato ocorreu, mesmo que duas parcelas só sejam pagas no ano seguinte. O valor ainda não pago fica registrado como obrigação com o fornecedor.
A visão “pelo caixa” mostra apenas quando o dinheiro sai, mês a mês. Ela é útil para a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), mas não substitui o registro contábil. Lembre-se também de que a opção fiscal pelo regime de caixa se refere a receitas, e não a compras. Veja a comparação:
Exemplo prático
Compra de R$ 150.000,00 em 3 parcelas: competência x caixa
| Mês | Regime de competência | Saídas de caixa (visão da DFC, sem lançamento próprio) |
|---|---|---|
| Dez/2025 | D – Estoque: R$ 150.000,00 C – Caixa/Bancos: R$ 50.000,00 C – Fornecedores: R$ 100.000,00 | Saída de caixa: R$ 50.000,00 |
| Jan/2026 | D – Fornecedores: R$ 50.000,00 C – Caixa/Bancos: R$ 50.000,00 | Saída de caixa: R$ 50.000,00 |
| Fev/2026 | D – Fornecedores: R$ 50.000,00 C – Caixa/Bancos: R$ 50.000,00 | Saída de caixa: R$ 50.000,00 |
| Resultado | Compra total reconhecida em dezembro | Caixa reduzido conforme os pagamentos (informação para a DFC) |
Estrutura do balanço patrimonial
O balanço patrimonial é apresentado em duas colunas: do lado esquerdo fica o ativo e, do lado direito, o passivo e o patrimônio líquido. Os dois lados sempre precisam ter o mesmo total, daí o nome “balanço”.
Estrutura do balanço patrimonial
Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido
| Ativo | Passivo e patrimônio líquido |
|---|---|
| Ativo circulante | Passivo circulante |
| Caixa, bancos, aplicações de liquidez imediata, contas a receber e estoques | Fornecedores, salários, impostos e empréstimos que vencem em até 12 meses |
| Ativo não circulante | Passivo não circulante |
| Realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível | Financiamentos e obrigações que vencem após 12 meses |
| Patrimônio líquido | |
| Capital social, reservas de capital e de lucros, ajustes de avaliação patrimonial, ações em tesouraria e prejuízos acumulados | |
| Total do ativo | = Total do passivo + PL |
No ativo, as contas devem ser organizadas em ordem decrescente de grau de liquidez, ou seja, das que se transformam em dinheiro mais rápido para as mais lentas, conforme o art. 178 da Lei nº 6.404/1976.
No passivo, a organização segue a ordem decrescente de grau de exigibilidade: primeiro vêm as obrigações que vencem antes e, depois, as de prazo mais longo, também conforme a Lei nº 6.404/1976.
No ativo, a empresa registra todos os seus bens e direitos. No passivo, registra suas obrigações com terceiros. O patrimônio líquido é a diferença entre os dois: nele ficam os aportes financeiros dos sócios e as reservas de lucros constituídas.
Os termos “realizável a curto prazo” e “exigível a longo prazo”, usados na versão anterior deste artigo, foram substituídos pela nomenclatura atual, com os grupos “circulante” e “não circulante”. A mesma mudança extinguiu os grupos “ativo permanente” e “resultados de exercícios futuros” a partir das Leis nº 11.638/2007 e nº 11.941/2009, que atualizaram a Lei das S.A. e aproximaram a contabilidade brasileira das normas internacionais (IFRS).
Ativo circulante
O ativo circulante reúne os bens e direitos de maior liquidez, isto é, que já são dinheiro ou podem ser convertidos em dinheiro rapidamente. Por exemplo:
- Depósitos bancários;
- Caixa;
- Duplicatas a receber;
- Estoque;
- Títulos a receber;
- Outros que se encaixam nessas características.
Em geral, são itens que se realizam até o fim do exercício social seguinte, ou seja, em até 12 meses após a data do balanço. Quando o ciclo operacional da empresa é mais longo, como em construtoras ou estaleiros, o critério passa a ser a duração desse ciclo (Lei nº 6.404/1976, art. 179; CPC 26). Quando a realização ultrapassa esse prazo, o valor é registrado no ativo não circulante e é transferido para o circulante à medida que se aproxima do vencimento.
Ativo não circulante
O ativo não circulante reúne os bens e direitos que serão realizados após o término do exercício seguinte (depois de 12 meses), além dos bens usados de forma permanente na operação. Por exemplo:
- Empréstimos a Controladas;
- Contas a receber a longo prazo;
- Depósitos judiciais;
- Investimentos;
- Ativo imobilizado;
- Ativo intangível;
- E outras operações que se enquadram nessas características.
Pela Lei nº 6.404/1976, o ativo não circulante é dividido em quatro subgrupos: realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível.
Passivo circulante
O passivo circulante reúne as obrigações com terceiros que vencem até o fim do exercício seguinte, ou seja, em até 12 meses ou dentro do ciclo operacional, quando ele for mais longo (Lei nº 6.404/1976, art. 180). Por exemplo:
- Salários e encargos a pagar;
- Encargos financeiros a pagar;
- Fornecedores;
- Debêntures;
- Impostos a recolher;
- E outras que se enquadrem nessas características.
Passivo não circulante
O passivo não circulante reúne as obrigações que vencem após o término do exercício seguinte, isto é, depois de 12 meses. Por exemplo:
- Provisões de longo prazo (como processos judiciais com perda provável);
- Financiamentos;
- Debêntures;
- E outras que se enquadram nessas características.
Patrimônio líquido
O patrimônio líquido (PL) representa os recursos próprios da empresa, ou seja, o que de fato pertence aos sócios ou acionistas. Ele é calculado pela diferença entre o ativo e o passivo e, segundo a Lei nº 6.404/1976, é dividido em:
- Capital social;
- Reservas de capital;
- Ajustes de avaliação patrimonial;
- Reservas de lucros;
- Ações em tesouraria;
- Prejuízos acumulados.
Quando o PL é positivo, os bens e direitos da empresa são suficientes para cobrir todas as obrigações com terceiros. Quando é negativo, situação conhecida como passivo a descoberto, as dívidas superam tudo o que a empresa possui, um sinal de alerta para a gestão.
Como fazer o balanço patrimonial em 4 passos
O balanço patrimonial é um resumo e, por isso, sua elaboração depende de outros relatórios produzidos antes dele. Para montar o balanço, siga estes passos:
Passo 1: Extrair o balancete
Extraia o balancete de verificação a partir do livro razão, reunindo todas as operações do período analisado.
Nesta etapa, confira se os saldos finais das contas estão matematicamente corretos. Se houver alguma diferença nos lançamentos, ela deve ser ajustada.
É importante ressaltar que não pode haver manipulação de resultados. O balanço precisa ser coerente, preciso e fiel à realidade, ou seja, nada de registrar lançamentos que não existiram.
Passo 2: Ajustar contas
Faça os ajustes necessários, equalizando os saldos de acordo com os débitos e créditos registrados no período.
Esta etapa exige um trabalho técnico contábil para garantir que todas as contas apresentem valores corretos. Na prática, é feito um saneamento das contas do balancete.
A conciliação deve ser feita conta por conta. Na conta caixa, por exemplo, o saldo final precisa refletir o dinheiro que realmente existe: se o saldo é de R$ 50.000,00, esse valor deve estar disponível em espécie.
O mesmo vale para o ativo imobilizado: o saldo contábil precisa corresponder aos bens que existem fisicamente na empresa. Essa verificação é feita por meio do inventário patrimonial e da conciliação físico-contábil, que identificam bens não registrados, baixas não realizadas e divergências de valor. Antes de encerrar o período, também é preciso reconhecer os ajustes de competência: a depreciação pela vida útil revisada (CPC 27), as perdas por redução ao valor recuperável quando houver indícios (CPC 01), as perdas estimadas com créditos de liquidação duvidosa (CPC 48) e as provisões (CPC 25).
Passo 3: Encerrar contas
Nesta etapa, as contas de receitas e despesas são encerradas.
Para entender esse passo, vale lembrar que a contabilidade divide as contas em dois grandes grupos: as contas patrimoniais e as contas de resultado. São as contas de resultado que são encerradas aqui.
As contas patrimoniais mantêm os saldos acumulados desde a constituição da empresa.
Já as contas de resultado registram as receitas, despesas, ganhos e perdas do período. No encerramento, os saldos dessas contas são transferidos para a conta de apuração do resultado do exercício, debitando e creditando cada uma delas em contrapartida. Só depois de apurado o lucro ou prejuízo é que o resultado pode ser distribuído.
Passo 4: Notas explicativas
Por fim, são elaboradas as demonstrações financeiras e as notas explicativas.
Conforme a Lei nº 6.404/1976, ao final de cada exercício as sociedades anônimas precisam elaborar e publicar suas demonstrações financeiras (companhias fechadas com receita bruta anual de até R$ 78 milhões têm regime simplificado de publicação, conforme o art. 294), que mostram de forma resumida todas as movimentações financeiras e contábeis do período.
Algumas operações, porém, não ficam claras apenas pelos números ou pelos nomes das contas. É para isso que existem as notas explicativas: elas detalham os saldos finais e trazem as informações de que os usuários precisam para entender o balanço por completo.
No ativo imobilizado, por exemplo, a nota explicativa deve informar os critérios de mensuração, os métodos de depreciação, as vidas úteis ou taxas utilizadas, a conciliação do saldo inicial com o final (aquisições, baixas, depreciação e perdas por impairment) e os bens dados em garantia (CPC 27, itens 73 a 79). Já as contas transitórias precisam estar conciliadas e zeradas no fechamento: a nota explicativa não substitui esse ajuste.
Imagine uma mineradora que assinou contrato para comprar máquinas de extração de uma empresa coligada, com preço e prazo já definidos. Enquanto a compra não se concretiza, as máquinas continuam no balanço da coligada, mas o compromisso assumido e a relação entre as empresas precisam ser divulgados em nota explicativa (CPC 05 — Partes Relacionadas; CPC 27, item 74). Esse tipo de informação só fica claro para o leitor por meio da nota explicativa.
Como fazer a análise do balanço patrimonial
A análise do balanço patrimonial permite verificar a capacidade de a empresa pagar seus compromissos dentro do exercício. Uma das formas mais usadas é o cálculo dos índices de liquidez: corrente, seca e imediata.
Análise de balanço
Índices de liquidez (valores em R$ mil)
| Índice | Fórmula | 31/12/Y5 | 31/12/Y6 | 31/12/Y7 |
|---|---|---|---|---|
| Liquidez corrente | Ativo circulante ÷ Passivo circulante | 6.528 ÷ 2.108 3,1 | 7.530 ÷ 2.200 3,4 | 5.825 ÷ 3.505 1,7 |
| Liquidez seca | (Ativo circulante − Estoques) ÷ Passivo circulante | 4.528 ÷ 2.108 2,1 | 5.020 ÷ 2.200 2,3 | 4.545 ÷ 3.505 1,3 |
| Liquidez imediata | Disponível ÷ Passivo circulante | 508 ÷ 2.108 0,2 | 620 ÷ 2.200 0,3 | 2.905 ÷ 3.505 0,8 |

Liquidez corrente
A liquidez corrente compara o ativo circulante (bens e direitos realizáveis no curto prazo) com o passivo circulante. Fórmula: ativo circulante ÷ passivo circulante.
Em 31/12/Y5, o índice foi de 3,1: para cada R$ 1,00 de dívida de curto prazo, a empresa tinha R$ 3,10 para pagá-la. É uma situação confortável, sem previsão de dificuldade para honrar os compromissos de curto prazo. Em Y7, o índice caiu para 1,7, ainda acima de 1, mas a queda merece acompanhamento.
Esse indicador é muito valorizado pelos bancos na análise de crédito, antes da concessão de um empréstimo.
Liquidez seca
A liquidez seca compara o ativo circulante, sem os estoques, com o passivo circulante. Fórmula: (ativo circulante − estoques) ÷ passivo circulante. Ela mostra se a empresa consegue pagar as dívidas de curto prazo sem depender da venda dos estoques.
Nos anos Y5, Y6 e Y7, os índices de 2,1, 2,3 e 1,3 podem ser considerados bons, pois ficaram acima de 1, lembrando que a referência ideal varia conforme o setor e o ciclo operacional da empresa. Resultados abaixo desse patamar indicam que a empresa depende dos estoques para quitar suas obrigações.
Liquidez imediata
Como o próprio nome indica, a liquidez imediata mostra se os recursos disponíveis agora, caixa, bancos e aplicações de resgate imediato — são suficientes para quitar o passivo circulante. Fórmula: disponível ÷ passivo circulante. O resultado indica quanto a empresa tem disponível para cada R$ 1,00 de dívida.
No exemplo, se a empresa precisasse quitar todo o passivo circulante de imediato, teria menos de R$ 1,00 para cada real de dívida. Ela precisaria de mais tempo para transformar estoques e recebíveis em dinheiro. Vale destacar que índices de liquidez imediata abaixo de 1 são comuns, já que as empresas raramente mantêm todo o valor das dívidas parado em caixa.
Como fazer o cálculo de lucro ou prejuízo no balanço patrimonial?
O balanço depende de outros relatórios para apresentar corretamente as movimentações do ativo e do passivo.
Isso porque ele mostra a posição do patrimônio em uma data: o saldo dos bens, direitos e obrigações resultante das operações do período. As receitas e despesas que geraram o lucro ou o prejuízo ficam em outro relatório.
Por isso, no dia a dia das empresas, o lucro ou o prejuízo não é calculado pelo balanço patrimonial, e sim pela DRE, como veremos a seguir.
O que se faz com frequência é comparar o lucro ou prejuízo de diferentes períodos (apurado na DRE e refletido no patrimônio líquido do balanço), para verificar se a lucratividade aumentou ou caiu. Mas atenção: esse não é o único parâmetro para avaliar a variação dos lucros.
Exemplo prático de balanço patrimonial
Uma empresa pode registrar, do Ano 1 para o Ano 2, um aumento significativo no lucro. Porém, se esse crescimento veio da captação de recursos de terceiros para ampliar o ativo, os custos da empresa também aumentaram. Nesse caso, o lucro sozinho não pode ser considerado um parâmetro de crescimento.
É preciso fazer uma análise mais detalhada. Os indicadores de solvência e de endividamento comparam o patrimônio líquido, que inclui o lucro retido, com as obrigações com terceiros. Quanto maior a parcela do ativo financiada com capital próprio, menor o risco de insolvência. Já quando a empresa apura prejuízo, a lei determina que ele seja absorvido primeiro pelos lucros acumulados e, depois, pelas reservas de lucros e pela reserva legal (Lei nº 6.404/1976, art. 189).
Veja a seguir o balanço de uma empresa em início de atividade, que apura seu primeiro lucro. Esse valor é transferido da conta de resultado (lucro líquido) para o patrimônio líquido, na conta de lucros acumulados.ridas no período. Essas informações também serão utilizadas para alimentar o LALUR (livro de apuração do lucro real).
Exemplo de balanço patrimonial
Empresa Exemplo S.A. (hipotética) – Balanço patrimonial em 31/12/20X2
| Ativo | R$ mil |
|---|---|
| Ativo circulante | |
| Caixa | 300 |
| Bancos | 1.500 |
| Contas a receber | 3.500 |
| Estoques | 2.200 |
| Subtotal | 7.500 |
| Ativo não circulante – Investimentos | |
| Participação em coligada | 2.000 |
| Ativo não circulante – Imobilizado | |
| Terrenos | 8.000 |
| Edificações | 15.000 |
| Máquinas e equipamentos | 13.600 |
| Veículos | 1.200 |
| (−) Depreciação acumulada | (2.300) |
| Subtotal | 35.500 |
| Total do ativo | 45.000 |
| Passivo e patrimônio líquido | R$ mil |
|---|---|
| Passivo circulante | |
| Fornecedores | 2.300 |
| Salários e encargos a pagar | 900 |
| Impostos a recolher | 800 |
| Empréstimos (parcela de curto prazo) | 1.000 |
| Subtotal | 5.000 |
| Passivo não circulante | |
| Financiamentos | 8.687 |
| Patrimônio líquido | |
| Capital | 30.300 |
| Lucros acumulados | 1.013 |
| Subtotal | 31.313 |
| Total do passivo + PL | 45.000 |
Lucros acumulados: desde a Lei nº 11.638/2007, as sociedades anônimas não podem manter saldo positivo em lucros acumulados ao fim do exercício: o lucro precisa ser destinado a reservas ou distribuído como dividendos. No exemplo, o valor aparece em lucros acumulados apenas para fins didáticos, antes da destinação do resultado. Aplicando os índices de liquidez a esse balanço, a liquidez corrente é de 1,5 (7.500 ÷ 5.000), a seca é de 1,06 ((7.500 − 2.200) ÷ 5.000) e a imediata é de 0,36 (1.800 ÷ 5.000).
O lucro líquido de R$ 1.013 mil que aparece no balanço vem da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) do mesmo período:
Demonstração do Resultado do Exercício
DRE em 31/12/20X2 (valores em R$ mil)
| Descrição | R$ mil |
|---|---|
| Receita bruta | |
| Serviços | 19.050 |
| Mercadorias | 2.155 |
| Total da receita bruta | 21.205 |
| (−) Impostos sobre vendas | (3.130) |
| Receita líquida de vendas | 18.075 |
| (−) Custo dos serviços prestados e das mercadorias vendidas | (14.087) |
| Lucro bruto | 3.988 |
| Despesas e receitas operacionais | |
| (−) Despesas com vendas | (993) |
| (−) Despesas administrativas | (606) |
| (−) Participação dos colaboradores nos lucros (PLR) | (119) |
| Resultado de equivalência patrimonial | (125) |
| Outras receitas operacionais | 38 |
| Resultado antes do resultado financeiro | 2.183 |
| (−) Despesas financeiras líquidas | (525) |
| Resultado antes do IR e da CSLL | 1.658 |
| (−) IR e CSLL | (586) |
| Lucro após IR e CSLL | 1.072 |
| (−) Participações estatutárias dos administradores | (59) |
| Lucro líquido do exercício | 1.013 |
O balanço patrimonial é obrigatório ao fim de cada exercício social, mas a empresa pode fazer fechamentos mensais ou trimestrais para fins gerenciais. Para o IRPJ e a CSLL no Lucro Real, a lei permite escolher entre a apuração trimestral e a anual, com recolhimentos mensais por estimativa — uma decisão tributária, com regras próprias (RIR/2018, arts. 217 a 219).
Vale ressaltar que, dependendo do tipo de negócio, do ramo de atividade ou da natureza jurídica, as regras da legislação fiscal podem exigir uma consulta específica. Normalmente, isso é feito logo no início, durante o planejamento tributário para a abertura do CNPJ. Fique atento também às mudanças em curso: a reforma tributária do consumo (Emenda Constitucional nº 132/2023 e Lei Complementar nº 214/2025) começou sua fase de teste em 2026, com a CBS e o IBS, e vai alterar gradualmente as deduções da receita na DRE até 2033. Além disso, a IFRS 18, norma internacional que entra em vigor em 2027, muda a forma de apresentar a DRE e tende a ser incorporada às normas brasileiras pelo CPC.
O cálculo do lucro ou prejuízo é feito na apuração do resultado, resumida na DRE: da receita bruta são deduzidos os custos e as despesas do período. Essas informações também são o ponto de partida do e-Lalur (Livro Eletrônico de Apuração do Lucro Real), escriturado na ECF, onde o lucro contábil é ajustado por adições e exclusões fiscais, no caso das empresas tributadas pelo Lucro Real.
Qual a diferença entre balanço patrimonial e DRE?
A DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) é o relatório que resume o fechamento das operações da empresa com base nas contas de resultado. De forma simplificada, ela mostra as receitas e as despesas de um determinado período.
Sabe quando alguém do escritório diz que está atarefado porque é “semana de fechamento”? É nesse período que acontece a apuração dos resultados, comparando as receitas obtidas com os custos e despesas incorridos no período, independentemente de terem sido pagos.
Depois da apuração, o lucro líquido é transferido para o balanço patrimonial, na conta de lucros acumulados, ou pode ser usado para constituir reservas de lucros.
Agora que você já conhece a DRE, fica mais fácil entender a diferença entre ela e o balanço patrimonial.
O balanço reúne as contas patrimoniais, que resumem os bens, os direitos e as obrigações da empresa e são classificadas em ativo, passivo e patrimônio líquido. Nele não aparecem contas de receitas ou despesas, apenas, em alguns casos, contas retificadoras do ativo ou do passivo, como a depreciação acumulada, que reduz o valor do imobilizado. A despesa de depreciação do período, por sua vez, é registrada na DRE.
Comparativo
Balanço patrimonial x DRE
| Critério | Balanço patrimonial | DRE |
|---|---|---|
| O que mostra | A posição do patrimônio: bens, direitos, obrigações e recursos dos sócios | O desempenho: receitas, custos, despesas e lucro ou prejuízo |
| Período | Uma data específica (ex.: 31 de dezembro) | Um intervalo de tempo (ex.: de janeiro a dezembro) |
| Tipo de conta | Contas patrimoniais (ativo, passivo e PL) | Contas de resultado (receitas e despesas) |
| Pergunta que responde | “Quanto a empresa tem e quanto deve?” | “A empresa lucrou ou teve prejuízo?” |
| Ligação entre os dois | Recebe o lucro líquido no patrimônio líquido | Apura o lucro líquido que vai para o balanço |
Exemplo prático: Conta estoque e clientes a receber
Suponha que a conta estoque tenha saldo devedor de R$ 20.000,00. No fim do mês, a empresa vende a prazo R$ 5.000,00 desse estoque, e essa redução precisa aparecer no balanço.
O valor de R$ 5.000,00 é debitado na conta clientes a receber e creditado na conta estoque, que passa a ter saldo de R$ 15.000,00.
Razonete
Estoque
| Débito | Crédito |
|---|---|
| R$ 20.000,00 | R$ 5.000,00 |
| Saldo: R$ 15.000,00 (devedor) |
Razonete
Clientes a receber
| Débito | Crédito |
|---|---|
| R$ 5.000,00 | R$ 0,00 |
| Saldo: R$ 5.000,00 (devedor) |
Atenção — exemplo simplificado: para fins didáticos, o exemplo considera a venda pelo valor de custo. Na prática, a venda gera receita e custo da mercadoria vendida (CMV) na DRE e é justamente aí que as duas demonstrações se complementam.
Como o ativo imobilizado impacta o balanço patrimonial
No ativo não circulante, o imobilizado costuma ser um dos grupos de maior valor, especialmente em indústrias, mineradoras, hospitais e empresas de infraestrutura. Por isso, a qualidade do controle patrimonial afeta diretamente a confiabilidade do balanço.
Quando o saldo contábil do ativo imobilizado não corresponde aos bens que existem fisicamente, o balanço deixa de refletir a realidade. Bens já descartados que continuam registrados, ativos sem identificação, depreciação calculada com vidas úteis e valores residuais que não são revisados (ou pela taxa fiscal, no lugar da vida útil econômica) e ativos com indícios de perda de valor sem teste de impairment distorcem o patrimônio líquido e os indicadores usados por bancos, auditores e investidores.
Esse desafio é comum no mercado. Segundo a 4ª edição da pesquisa Cenário do Ativo Imobilizado, 85,1% das empresas apontam o controle e a rastreabilidade dos ativos como prioridade, e 71% dos gestores indicam a cultura patrimonial como o maior desafio da área.
Na prática, manter um balanço confiável passa por três frentes:
Cálculo correto da depreciação pela vida útil econômica, revisada pelo menos a cada exercício e com teste de recuperabilidade (CPC 01) quando houver indício de perda — as taxas fiscais da Receita Federal são apenas limite de dedutibilidade para IRPJ e CSLL e não substituem a vida útil contábil —, conforme o CPC 27 (Ativo Imobilizado).
Balanço patrimonial: base para decisões mais seguras
Como vimos, o balanço patrimonial é um relatório fundamental para analisar, de forma real, completa e objetiva, a situação financeira de uma empresa em determinado período.
Ter esse relatório em mãos e saber interpretar seus dados, é essencial para que o gestor tome decisões mais seguras sobre o futuro do negócio.
Por isso, se você é gestor ou dono de um negócio, reserve um tempo para analisar com atenção o balanço patrimonial da sua empresa.
Como a Afixcode pode ajudar
Um balanço patrimonial confiável começa com um ativo imobilizado bem controlado. Há 25 anos, a Afixcode apoia empresas de diferentes portes e segmentos na gestão do patrimônio, com mais de 1.800 projetos realizados e metodologia certificada pela ISO 9001.
Realizamos inventário físico, conciliação físico-contábil, avaliação patrimonial e consultoria patrimonial para que os saldos do imobilizado reflitam a realidade da sua operação, incluindo a revisão de vida útil e valor residual e o apoio ao teste de recuperação (impairment), conforme o CPC 27 e o CPC 01. E, com o sistema de controle patrimonial AfixPat, sua equipe mantém essas informações atualizadas ao longo de todo o ano e não apenas no fechamento. Quer garantir que o imobilizado da sua empresa esteja correto no próximo balanço? Fale com um especialista da Afixcode através do [email protected] ou (11) 2888-2727.
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