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Reversão do Impairment

Reversão do Impairment

Reversão do Impairment -Indice
 

Dando continuidade ao nosso artigo "Teste de Impairment: Como fazer, Como contabilizar, Aspectos Fiscais e Divulgação", nesse artigo iremos tratar da reversão de perda por desvalorização. Isto é, assim como a norma contábil brasileira (CPC-01) estabelece que a empresa deve reconhecer a perda (se houver) decorrente do teste de recuperabilidade (Impairment), a mesma norma diz que se houver alteração no valor justo a mesma pode ser reduzida ou eliminada, ajustando seu valor contábil para cima até o limite do custo de aquisição inicialmente contabilizado.

Obs: A parcela do ágio (goodwill) não pode ser revertida.

Exemplo Prático

Reversão do Impairment - Conteúdo

Para melhor compreensão deste conceito, vamos utilizar o mesmo exemplo do artigo anterior e simular um caso de reversão de impairment. Confira abaixo os cálculos com Data base Ano 1 x Ano 2:

Data Base: Ano 1
Uma máquina de uma linha de produção cujo valor ao final de um exercício apresente o seguintes valores:
Máquina
Valor original (custo de aquisição)
 R$ 100.000,00
(-) Depreciação acumulada
 R$ 41.666,67
(=) Valor contábil
 R$ 58.333,33

Após o teste de Impairment, foi detectada uma perda por desvalorização:

Valor recuperável
 R$ 55.665,92
Valor contábil
 R$ 58.333,33
Perda por desvalorização (impairment)
- R$ 2.667,41 

Contabilização:

Contas Contábeis Débito Crédito
Despesa com perda por desvalorização da máquina (conta de resultado)
R$ 2.667,41
Perda por desvalorização da máquina (conta redutora do ativo imobilizado)
R$ 2.667,41

Máquina
Valor original (custo de aquisição)
 R$ 100.000,00
(-) Depreciação acumulada
R$ 41.666,67
(-) Perda por desvalorização da máquina (Impairment)
R$ 2.667,41
(=) Valor recuperável do ativo
R$ 55.665,92
 
 
Data Base: Ano 2
No segundo ano, por um aumento da demanda do mercado pelos produtos fabricados por essa máquina as expectativas com relação a geração de caixa aumentaram de forma significativa, por exemplo:

Máquina em Data Base Ano 2
Valor original (custo de aquisição)
 R$ 100.000,00
(-) Depreciação acumulada (12 quotas a mais)
R$ 51.666,67
(=) Valor contábil
 R$ 48.333,33

Nova estimativa de caixa:

Ano Entrada de Caixa Saída de Caixa FCF
1  R$ 35.000,00  R$ 5.500,00  R$ 29.500,00
2  R$ 30.000,00  R$ 5.000,00  R$ 25.000,00
3  R$ 28.000,00  R$ 4.800,00  R$ 23.200,00
4  R$ 25.000,00  R$ 4.500,00  R$ 20.500,00
5  R$ 20.000,00  R$ 4.000,00  R$ 16.000,00
   R$ 138.000,00  R$ 23.800,00  R$ 114.200,00 

Considerando uma taxa de desconto (r) = 25% e trazendo a valor presente teremos:

Ano Entrada de Caixa Saída de Caixa FCF Valor Presente
1  R$ 35.000,00  R$ 5.500,00  R$ 29.500,00  R$ 23.600,00
2  R$ 30.000,00  R$ 5.000,00  R$ 25.000,00  R$ 16.000,00
3  R$ 28.000,00  R$ 4.800,00  R$ 23.200,00  R$ 11.878,40
4  R$ 25.000,00  R$ 4.500,00  R$ 20.500,00  R$ 8.396,80
5  R$ 20.000,00  R$ 4.000,00  R$ 16.000,00  R$ 5.242,88
 R$ 138.000,00  R$ 23.800,00  R$ 114.200,00  R$ 65.118,08

Valor recuperável (valor em uso)
  R$ 65.118,08
Valor contábil
 R$ 48.333,33
Perda por desvalorização (impairment)
- R$ 0,00 
 
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Como o valor recuperável é maior do que o valor contábil não há Impairment, entretanto, no ano anterior quando as premissas eram diferentes foi contabilizada uma perda. Nesse caso, a empresa deve efetuar a reversão total da perda constituída no exercício anterior:

Contabilização:
Contas contábeis  Débito  Crédito
Reversão da Perda por desvalorização da máquina (conta redutora do imobilizado)
 R$ 2.667,41
Receita com perda por desvalorização da máquina (conta de resultado)
R$ 2.667,41

Nota: fiscalmente, essa receita (R$ 2.667,41) não será tributada (art. 15 da Lei número 11.941/2009). Posição final do balanço patrimonial:
Máquina
Valor original (custo de aquisição)
 R$ 100.000,00
(-) Depreciação acumulada
 R$ 51.666,67
(-) Perda por desvalorização da máquina (impairment)
 R$ 0,00
(=) Valor contábil
 R$ 48.333,33

Considerações finais

Reversão do Impairment - Conteúdo

O exemplo utilizado trata-se de um caso de reversão utilizando a metodologia do valor em uso (aumento da geração de caixa), entretanto o mesmo conceito se aplica para o valor líquido de venda, isto é, caso ocorra uma valorização significativa do bem no mercado deve-se refazer o teste de Impairment.

A empresa deve fazer uma revisão do teste de Impairment preferencialmente ao final de cada exercício ou quando houver indicação de alteração nas estimativas do valor justo.

 
 
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Glauco Oda
Glauco Oda
Glauco Oda é bacharel em Ciência da Computação formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e em Ciências Contábeis pela Universidade Paulista (CRC 1SP326596), atual CEO da AfixCode Patrimônio e Avaliações, e sócio/diretor da OTK Sistemas e AfixGraf Soluções Gráficas. Carreira profissional toda desenvolvida na gestão do controle do Ativo Imobilizado, tendo participado de todas as fases e inúmeros projetos em mais de 20 anos de atuação profissional.

1 Comentário

  1. Helton Paiva disse:

    Ótima explicação, me auxiliou muito.

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