Muitas empresas dedicam tempo e esforço para formalizar a gestão do patrimônio: escrevem manuais, definem normas e estruturam a política do imobilizado. Mesmo assim, quando chega a auditoria ou o fechamento contábil, aparecem divergências entre o que está no sistema e o que existe fisicamente.
O maior desafio da gestão patrimonial hoje não é sistema, orçamento ou tecnologia, é a cultura. Segundo a 4ª edição da pesquisa Cenário do Ativo Imobilizado, 71% dos gestores apontam a cultura empresarial como o principal obstáculo para gerir o ativo imobilizado. E há um sinal claro de que o problema não é falta de regras: mesmo empresas com a política do imobilizado bem definida seguem convivendo com divergências, justamente porque a norma não é vivida no dia a dia.
Neste artigo, explicamos por que a cultura patrimonial é o verdadeiro gargalo do controle de ativos, como esse desafio se comporta em empresas de diferentes portes e por que a política do imobilizado, por mais bem escrita que seja, só protege o patrimônio quando vira prática. Continue a leitura!
O que a pesquisa revela sobre o maior desafio da gestão patrimonial?
O maior obstáculo da gestão do ativo imobilizado não é orçamento, nem sistema, nem falta de tecnologia, é cultura. Segundo a 4ª edição da pesquisa Cenário do Ativo Imobilizado, 71% dos gestores apontam a cultura empresarial como o principal desafio, à frente de fatores como sistemas que não atendem todas as necessidades (53,8%), falta de mão de obra qualificada (50,5%) e orçamento insuficiente (38,7%).
O dado chama ainda mais atenção quando comparado com edições anteriores: a cultura empresarial era apontada como maior desafio por 51,4% dos gestores em 2023. Em dois anos, o número saltou para 71%. Isso indica que, à medida que as empresas amadurecem seus controles, elas percebem que o verdadeiro gargalo está nas pessoas e nos comportamentos, não apenas nas ferramentas.
Se a maioria já tem política do imobilizado, por que o controle ainda falha?
Porque toda gestão patrimonial tem duas partes e a maioria das empresas resolve só a primeira.
A primeira parte é formal: a política do imobilizado, as normas e os procedimentos escritos. E aqui a maturidade já é considerável. A pesquisa mostra que 80% das empresas possuem normas e procedimentos do imobilizado bem definidos e 61,1% têm uma política de imobilização estruturada.
A segunda parte é viva: a adesão das pessoas, a rotina, a responsabilização e a forma como cada área trata o patrimônio no dia a dia. É essa parte que não se resolve com um documento e é exatamente onde mora o desafio da cultura.
Na prática, isso significa que:
- Uma política existe, mas o setor que movimenta um ativo não comunica a baixa ou a transferência
- As regras estão escritas, mas ninguém é responsável por fazê-las cumprir
- O procedimento prevê inventário, mas ele acontece de forma esporádica e sem rastreabilidade
O documento define o “certo”. A cultura define o que realmente acontece. Quando as duas partes não conversam, o resultado é divergência entre o que está no sistema e o que existe fisicamente, o problema que quase toda auditoria acaba encontrando.
Em que porte de empresa a cultura patrimonial pesa mais?
O desafio cultural não cresce de forma linear com o tamanho da empresa, ele aumenta, atinge o pico nas organizações de médio-grande porte e depois recua um pouco nas maiores, sem nunca deixar de ser alto. Veja como a cultura empresarial aparece como maior desafio, por porte, segundo a pesquisa:
- 54,5% — empresas de 1 a 100 colaboradores
- 70,6% — de 101 a 500 colaboradores
- 87,5% — de 501 a 1.000 colaboradores (o pico)
- 75,0% — de 1.001 a 5.000 colaboradores
- 71,4% — acima de 5.001 colaboradores
A curva conta uma história. Nas empresas menores, poucas pessoas controlam quase tudo, e a cultura pesa menos, ainda que mais da metade já sinta o desafio. Conforme a empresa cresce, o patrimônio passa a circular entre mais departamentos, filiais e responsáveis, e cada elo que não segue a norma vira uma brecha no controle. É nas empresas de 501 a 1.000 colaboradores que essa tensão chega ao máximo: já são complexas o bastante para sentir o problema, mas nem sempre maduras o bastante para ter uma cultura patrimonial consolidada.
Nas maiores (acima de 5.001 colaboradores), o índice recua um pouco, provavelmente porque essas empresas tendem a ter estruturas mais consolidadas, como equipes dedicadas de patrimônio e auditoria externa recorrente.
Ainda assim, mais de 70% continuam apontando a cultura como maior desafio. Ou seja: porte e estrutura ajudam, mas não resolvem o problema sozinhos. A política escrita é necessária em qualquer tamanho de empresa, mas insuficiente por natureza, sem uma cultura que sustente as regras, a norma envelhece mais rápido do que a operação muda.
Como transformar a política do imobilizado em cultura na prática?
Vale ser honesto: a política do imobilizado no papel não é o problema, ela é a base. O erro está em tratá-la como o fim do trabalho, quando ela é o começo. Um documento bem feito só se transforma em controle real quando é acompanhado de rotina e responsabilização.
Alguns pontos que ajudam a fechar a distância entre a norma e a prática:
- Definir responsáveis claros por cada etapa, quem etiqueta, quem baixa, quem transfere, quem valida
- Estabelecer uma rotina de inventário recorrente, e não eventos isolados quando a auditoria se aproxima
- Garantir rastreabilidade dos ativos com identificação confiável (etiquetas com código de barras ou RFID), para que a movimentação seja registrada
- Integrar o inventário físico ao sistema de patrimônio, reduzindo a chance de divergência entre o que está registrado e o que existe
- Comunicar e capacitar as áreas, para que a política deixe de ser uma exigência da contabilidade e passe a ser um hábito da empresa
Como resume Glauco Oda, CEO da Afixcode: “O desafio agora não é apenas implantar controles, e sim integrá-los à cultura da empresa, capacitar equipes e evoluir tecnologicamente. Quem não endereçar esses pontos tende a conviver com ineficiências, riscos e perda de valor ao longo do tempo.”
Em outras palavras: a política define a regra, mas é a cultura, sustentada por processo e tecnologia, que faz a regra funcionar.
Caso real: Como a MWM venceu esse desafio na prática
O projeto da Afixcode com a MWM mostra o que acontece quando cultura e processo caminham juntos. Com cerca de 40 mil itens e uma base patrimonial de aproximadamente R$ 600 milhões distribuídos entre unidades e centros de custo, o desafio não era apenas inventariar, era manter a confiabilidade do controle no dia a dia de uma operação de alta dinâmica.
Além do inventário estruturado e das ferramentas de rastreamento e localização de ativos, a empresa investiu na conscientização das equipes, comunicando a importância do controle e consolidando a ideia de que cada colaborador deve cuidar dos ativos como se fossem da própria casa.
O efeito aparece exatamente quando a cultura virou prática: os ajustes contábeis anuais caíram de cerca de R$ 3 milhões no primeiro ano para aproximadamente R$ 300 mil três anos depois, uma redução de 90%. Como resume Edson Vinicius, Analista Contábil da MWM: “conseguimos implantar procedimentos e fortalecer essa cultura dentro da empresa”.
Como a Afixcode pode ajudar?
Transformar a política do imobilizado em prática exige método, processo e tecnologia trabalhando juntos. É exatamente aí que a Afixcode atua. Unimos consultoria em gestão patrimonial, serviço de inventário físico, identificação de ativos (placas e etiquetas patrimoniais, incluindo RFID) e softwares próprios, o AfixInv e o Afixpat Start para conectar a norma escrita à operação real da sua empresa.
São mais de 25 anos de mercado, +1.800 projetos concluídos, NPS 82 (Nível de Excelência), 98% de satisfação dos clientes e metodologia baseada na ISO 9001. Ajudamos sua empresa a sair do controle apenas documentado para uma cultura patrimonial que se sustenta no dia a dia — com rastreabilidade, conformidade e informação confiável para a tomada de decisão.
Quer avaliar como está a maturidade da gestão patrimonial na sua empresa? Fale com um dos nossos especialistas: [email protected] ou (11) 2888-4747.
