Saber como usar RFID na gestão de ativos exige mais do que comprar etiquetas e um leitor: envolve escolher o tipo certo de tag para cada superfície, organizar o ambiente de leitura, posicionar a etiqueta corretamente e integrar tudo a um software preparado para a tecnologia.
Segundo a 4ª edição da Pesquisa Cenário do Ativo Imobilizado, a adoção de etiquetas RFID no controle patrimonial mais que dobrou entre 2023 e 2025, saindo de 3,1% para 7,3%. Além disso, 42,9% dos profissionais já consideram o RFID uma excelente solução para a gestão de ativos, o maior índice já registrado na pesquisa. Ou seja: a curva de adoção está acelerando, e entender como aplicar a tecnologia corretamente se tornou um diferencial competitivo real.
Neste guia, reunimos as diretrizes técnicas que aplicamos em projetos de identificação patrimonial com RFID e os principais aprendizados que compartilhamos no webinar “RFID na Gestão do Imobilizado”, com o objetivo de te ajudar a implantar a tecnologia sem os erros mais comuns do mercado.
O que é RFID e como funciona na prática
RFID (Radio-Frequency Identification) é a identificação de ativos ou itens por radiofrequência. Na prática, o processo funciona assim: um leitor emite uma onda de radiofrequência; essa onda atinge a antena da etiqueta (tag); o chip da etiqueta devolve o sinal, identificando o item para o sistema.
A principal vantagem sobre o código de barras é a leitura em lote: em vez de apontar item a item a poucos centímetros de distância, o técnico consegue identificar diversos ativos simultaneamente, a uma distância média de 2 a 4 metros, passando por um corredor ou sala. Isso reduz o tempo de revisão física do imobilizado e aumenta a produtividade da equipe de inventário, sem depender de contato visual direto com cada plaqueta.
Tipos de etiquetas RFID: passiva ou ativa
Antes de aplicar a tecnologia, é essencial entender a diferença entre os dois tipos de tag:
Etiquetas passivas são o modelo mais utilizado no controle de ativos imobilizados e de estoque. Não têm bateria nem fonte de energia própria, o sinal é emitido pelo leitor e apenas refletido pela tag, o que garante maior durabilidade e custo mais baixo. É a etiqueta padrão que recomendamos para a maioria dos projetos patrimoniais.
Etiquetas ativas possuem alimentação interna (geralmente uma bateria semelhante à de relógio), o que aumenta o custo, mas também amplia o raio de leitura e permite identificação em tempo real. Algumas ativas incorporam sensores adicionais, como temperatura e umidade, úteis para laboratórios e ambientes controlados. No Brasil, parte desses modelos ainda está em processo de homologação; a Afixcode acompanha e testa essas tecnologias para levá-las aos clientes assim que estiverem liberadas para comercialização.
Etiquetas para superfícies metálicas x não metálicas
A forma como a tag é aplicada no ativo é o fator mais crítico para o sucesso da leitura, e isso começa pela escolha correta do tipo de etiqueta:
- Superfícies não metálicas (mesas, cadeiras, imobiliário em geral): a etiqueta pode ser mais fina e maleável, com a antena mais exposta.
- Superfícies metálicas (equipamentos de informática, racks, maquinário pesado): o metal interfere diretamente na leitura, então a etiqueta precisa de proteção extra, uma película ou resina cobrindo a frente e o verso e, em ambientes com atrito ou produtos químicos (como parques industriais e maquinário pesado), recomendamos etiquetas rígidas e resinadas, que não descolam nem se danificam com o tempo. Esse tipo de tag custa mais, mas sua durabilidade pode chegar a 10 anos, o que compensa o investimento.
Ao etiquetar celulares e dispositivos com capinha, o cuidado é redobrado: nunca cole a tag diretamente sobre a antena NFC/RFID interna do aparelho, geralmente localizada na parte superior, próxima à câmera, ou no centro traseiro, pois isso causa interferência e cancelamento de sinal. Prefira as extremidades inferiores ou laterais da traseira, onde há menor densidade de componentes metálicos internos, e evite capas com alumínio, fibra de carbono ou suportes magnéticos metálicos, que impedem a leitura tanto da tag quanto do próprio sensor do aparelho.
Se o dispositivo for sempre utilizado com a mesma capa, a tag pode ser aplicada na parte externa dela, preferencialmente um modelo on-metal se a capa for densa. E um cuidado que passa batido com frequência: evite sobrepor múltiplas etiquetas (patrimônio, código de barras e RFID) no mesmo local. O acúmulo de camadas atenua o sinal e compromete a leitura de todas elas.
Como organizar o ambiente para não comprometer a leitura
O ambiente de armazenamento influencia diretamente a propagação das ondas de radiofrequência. Algumas diretrizes práticas:
- Segregue materiais interferentes. Cartuchos de toner, baterias e cabos metálicos devem ficar em prateleiras separadas dos ativos etiquetados, o pó de carbono e a densidade de metais criam zonas de sombra para o leitor. Papéis, manuais e caixas de papelão são neutros e não interferem, desde que não estejam úmidos.
- Evite empilhamento excessivo. O “sanduíche” de componentes metálicos dificulta que o sinal alcance as tags no meio da pilha. O ideal é armazenar os itens de pé, em organizadores verticais, ou lado a lado, com as tags voltadas para o lado de abertura.
- Padronize o local de fixação. Na Afixcode, adotamos como padrão o canto superior direito do ativo, o que maximiza a distância de leitura em qualquer projeto.
Checklist: 4 fatores que obstruem a leitura RFID
Se a leitura estiver falhando, verifique nesta ordem:
- Presença de metal — há placas metálicas ou suportes veiculares próximos à tag?
- Colisão de tags — existem duas ou mais etiquetas RFID coladas no mesmo item?
- Blindagem ativa — o ativo (ou sua capa/revestimento) tem proteção do tipo “RFID blocking”?
- Umidade — há papéis ou caixas encharcadas por perto, absorvendo o sinal?
Equipamentos: leitores, antenas e portais

Não basta ter uma boa etiqueta, o leitor precisa estar no mesmo nível de qualidade, e o tamanho da antena determina o raio de leitura que a tag vai efetivamente alcançar.
- Leitores móveis (modelo “pistola”, conectado via Bluetooth ao smartphone) são os mais indicados para revisões físicas de ativo imobilizado, por unir mobilidade e boa qualidade de leitura. Evite leitores com sistema Android acoplado: a dependência de atualizações do fabricante pode tornar o equipamento incompatível com versões futuras do seu software de inventário.
- Leitores fixos, antenas e portais ficam parados em um local estratégico e fazem a varredura automaticamente, muito útil para controlar entrada e saída em almoxarifados, ou para monitorar itens de alto valor em laboratórios e UTIs, sem precisar de alguém fisicamente posicionado ali. Um portal reúne mais de uma antena (superior e laterais), o que aumenta a probabilidade de leitura em relação a uma única antena.
Ao realizar a leitura com coletor manual, faça movimentos em “S” em frente às prateleiras, mantendo de 30 cm a 50 cm de distância, para que a onda alcance diferentes ângulos das tags.
Onde posicionar a etiqueta (e por que não escondê-la)
É comum o cliente pedir para “esconder” a tag por questões estéticas, em hospitais e ambientes de grande circulação de público, por exemplo. É possível, mas existe um trade-off direto: quanto mais a tag fica oculta ou distante da extremidade, menor a distância de leitura.
Por isso, sempre recomendamos manter a etiqueta visível, em posição padronizada e de fácil acesso, com logomarca, numeração e código de barras impressos, mesmo sabendo que a leitura será majoritariamente feita pelo RFID, ter o código de barras como redundância garante a identificação do ativo mesmo se a antena falhar no futuro.
Os 8 erros mais comuns na implantação de RFID
Com base em projetos reais de identificação patrimonial, estes são os erros que mais comprometem o retorno do investimento em RFID:
- Gravar as tags no próprio ambiente de produção, sem controle de potência, o que pode acabar gravando etiquetas vizinhas por engano. O ideal é comprar as tags já gravadas e prontas de fábrica.
- Usar tags apenas gravadas, sem impressão visível. Sem número e código de barras impressos, qualquer identificação manual do ativo (por exemplo, para manutenção) fica inviável sem um leitor em mãos.
- Escolher a tag pelo preço, sem avaliar a distância de leitura necessária. Etiquetas muito baratas podem ter alcance de apenas 10 a 20 cm, o que anula a principal vantagem do RFID.
- Imprimir sem o acabamento adequado. Etiquetas de ativo imobilizado precisam de impressão de qualidade e película ou resina de proteção, sem isso, a informação se degrada com o tempo, como em um cupom fiscal térmico.
- Fixar um único tipo de tag para todos os bens, independentemente do material ou do ambiente. Projetos reais costumam exigir três ou quatro tipos de etiqueta diferentes.
- Posicionar a tag em local de difícil acesso ou escondida, reduzindo a distância de leitura sem necessidade real.
- Comprar apenas as etiquetas, sem investir em leitores e softwares compatíveis. Sem essa estrutura, a leitura em lote, o principal benefício da tecnologia, simplesmente não acontece.
- Não manter o processo depois da implantação. Se os novos bens adquiridos não forem etiquetados e cadastrados no sistema, a base fica com itens tagueados e não tagueados misturados, e o ganho de eficiência se perde na próxima revisão.
RFID não resolve tudo: quando usar RTLS ou rastreamento GPS

Um ponto importante e frequentemente mal compreendido: RFID é ideal para identificação e leitura em lote, mas não indica em tempo real se um item foi retirado do local ou está em movimento. Para isso, existem outras tecnologias:
- RTLS (Real-Time Location System) usa âncoras que recebem o sinal emitido continuamente pela tag, permitindo localizar a posição exata do ativo dentro de um ambiente monitorado.
- Rastreadores com GPS e chip celular são indicados para bens em comodato com terceiros ou fora das instalações da empresa, onde nem o RFID nem o RTLS têm alcance.
Entender essa diferença evita investir na tecnologia errada para o seu caso de uso.
O papel do software na gestão via RFID

Nenhum projeto de RFID é completo sem um sistema preparado para a tecnologia. Na revisão física, o software precisa permitir filtrar por filial, local e centro de custo, ajustar a potência do leitor conforme o ambiente e classificar automaticamente cada item lido como revisado, alterado, divergente (encontrado em local diferente do cadastrado) ou não localizado.
Esses status guiam o time durante o inventário e geram relatórios que sustentam decisões contábeis e de gestão patrimonial, inclusive integrados a ERPs como SAP e TOTVS e a ferramentas de BI.
Em quais setores o RFID já é mais usado no Brasil
Segundo a mesma pesquisa Cenário do Ativo Imobilizado, o RFID tem adoção mais concentrada em setores com ativos de alto valor ou ambientes críticos de controle:
- 35,3% — Hospitais e Saúde (maior adoção)
- 17,6% — Educação
- 17,6% — Serviços
- 11,8% — Órgãos Públicos
- 5,9% — Indústrias Diversas, Bancos e Instituições Financeiras, e Agrícola/Mineração
Não à toa: a tecnologia não interfere no funcionamento de equipamentos hospitalares (o inverso é que pode ocorrer, exigindo encapsulamento específico em alguns casos) e também é aplicada com sucesso em ambientes mais agressivos, como áreas portuárias e industriais, desde que a tag e o encapsulamento sejam escolhidos para resistir a temperatura, umidade e atrito.
Resumo: boas práticas para começar com o pé direito
Antes de partir para a conclusão, reunimos abaixo os pontos-chave deste guia, para você usar como referência rápida na hora de planejar o seu projeto de RFID:
- Tenha um processo de imobilização consistente antes de implantar o RFID: todo bem novo precisa ser etiquetado e cadastrado no sistema.
- Escolha o tipo de tag pela distância de leitura necessária, não apenas pelo custo.
- Padronize o local de fixação em todos os ativos da mesma categoria.
- Combine leitores móveis para revisões de rotina com portais fixos em pontos de alta movimentação, como almoxarifados e laboratórios.
- Garanta que o software de inventário seja compatível com RFID e código de barras, assim você não fica dependente de uma única tecnologia.
Conclusão
Como usar RFID na gestão de ativos, na prática, é uma combinação de quatro decisões corretas: a tag certa para cada superfície, o leitor e a antena com alcance adequado, o local de fixação padronizado e um software preparado para transformar a leitura em lote em informação confiável para a sua gestão patrimonial. Empresas que endereçam esses pontos desde o início evitam o erro mais custoso, investir na tecnologia e perder o retorno por falta de manutenção do processo.
A Afixcode tem mais de 25 anos de mercado, mais de 1.800 projetos concluídos, certificação ISO 9001 e NPS 82 (Nível de Excelência), com 98% de satisfação dos clientes. Contamos com equipe especializada em RFID, do etiquetamento à leitura, integrada ao nosso software próprio, o AfixInv, compatível com RFID e código de barras e pronto para integrar com o seu ERP.
Quer saber se o RFID é a tecnologia certa para o seu projeto de gestão patrimonial? Solicite uma consultoria gratuita com nossos especialistas. Entre em contato através [email protected] ou (11) 2888-4747
👉 Prevenção de perdas: como controlar ativos e estoque em tempo real
👉 Etiquetas RFID Patrimoniais Crescem 135% nas Empresas Brasileiras
👉 Software para Controle de Ativos: Porque e Quando Implantar